Agricultor familiar aposta no cultivo protegido e na plasticultura
Novas tecnologias têm sido desenvolvidas no segmento da agricultura familiar com o objetivo de auxiliar o homem do campo, aumentando sua produtividade e lucro. O sucesso dessas novas metodologias depende, sobretudo, de trabalhadores rurais dispostos a assimilar as inovações.
Acessível às novidades na área da agricultura familiar, Gidelson Gidelson Gonçalves, pequeno produtor rural do perímetro irrigado Piauí, mantido pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) no município de Lagarto, na região centro-sul do Estado dos Santos, vem utilizando dois procedimentos ainda pouco conhecidos: o cultivo protegido e a plasticultura. “Devo ser o único em Sergipe; não tenho notícias de mais ninguém que trabalhe com esses métodos”, disse o produtor.
O cultivo protegido tenta livrar a lavoura das temidas pragas, que destroem as plantas e prejudicam a produção e a produtividade. Para evitar o problema, o produtor rural pode criar uma grande barreira ao cercar a lavoura com uma tela de proteção. Foi o que fez o agricultor Gidelson com uma pequena plantação de tomate.
“Conheci esta técnica em uma recente viagem a Holambra, no Estado de São Paulo, e trouxe para cá. A tela anti-insetos impediu a entrada da traça e da mosca-minadora no local, protegendo a plantação e permitindo que o tomateiro crescesse quase dois metros, desenvolvesse talos fortes e tomates vistosos, de cor verde-escura. E o mais importante: sem o usar adubos químicos e agrotóxicos, só um pouco de fertilizante natural à base de algas marinhas. Se não fosse a tela de proteção anti-insetos, provavelmente estaria tudo estragado”, declarou Gildelson.
Segundo o gerente do perímetro Piauí, Marcos Emílio Almeida, a tela auxilia a produção orgânica. “São muitas as dificuldades em produzir o alimento orgânico a céu aberto. A tela de proteção é uma solução para o agricultor que quer plantar sem ter prejuízo. Mesmo se utilizada na agricultura convencional, o uso de agrotóxicos é reduzido em 80%. Quem vê a lavoura de Gidelson pensa que ele faz uso de agrotóxico, mas não é verdade. Ele é pioneiro nesta técnica aqui no perímetro, e espero que se torne um incentivo para os demais pequenos produtores”, destacou Marcos.
Feliz com os resultados, Gidelson vai utilizar a tecnologia em uma área maior de sua propriedade. “Vou cercar um hectare do lote com uma tela importada de Israel. É um material resistente, de cor vermelha, que diminui a luminosidade dentro da lavoura, elimina o ataque de insetos, e reduz o impacto da água da chuva nas plantas. Inicialmente vou dar continuidade ao plantio de tomate, mas com esse telado poderei cultivar qualquer cultura”, disse o produtor, que já instalou os postes de pinho tratado que darão sustentação à tela.
Plasticultura e fertirrigação
A plasticultura é outra técnica empregada no auxílio à produção agrícola. No perímetro Piauí, Gidelson foi o primeiro, e até agora o único, a utilizar a tecnologia. “Na plasticultura o solo é coberto com um filme de PVC preto, que resulta em menos perda de água por evaporação e evita o aparecimento de mato e erva – daninha. Já a fertirrigação é uma técnica que utiliza a água da irrigação para levar o nutriente à planta. Nós injetamos o adubo na mangueira junto com a água. É um método mais eficaz e econômico de adubação”, explicou o produtor, que usa a irrigação localizada subterrânea por gotejamento.
Os dois procedimentos são utilizados na produção da pimenta jalapeno, originária do México, e que faz grande sucesso na região. “A jalapeno é utilizada na fabricação da famosa pimenta Gota por uma grande indústria de Sergipe. Cerca de 20% da Gota é feita com a jalapeno, que deixa o molho mais consistente e saboroso, com uma coloração mais bonita. Em época de safra, vendo toda minha produção de jalapeno a essa empresa”, contou o agricultor.
A técnica da plasticultura foi mais uma inovação conhecida na cidade de Holambra, mas, neste caso, quem trouxe a novidade do interior de São Paulo foi o gerente Marcos Emílio. “Nesta viagem conheci algumas novas metodologias, e a plasticultura foi uma delas. Procurei Gidelson, que sempre se mostrou interessado, e propus que criássemos uma unidade demonstrativa da plasticultura em seu lote. Deu certo. Ele viu reduzir a mão de obra, o consumo de água e adubos químicos, e viu sua produtividade crescer pelo menos 50%. O plantio da pimenta jalapeno é sadio e tranquilo graças à técnica e à determinação do produtor”, assegurou Marcos.
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- Gidelson Gonçalves dos Santos / Fotos: Ascom/Cohidro