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Um ano sem Marcelo Déda

por Saumíneo da Silva Nascimento*

Há um ano atrás, Sergipe perdia um dos seus ícones na política e em pleno mandato de Governador, algo inédito para o Estado. Tratava-se de Marcelo Déda, nascido em uma cidade e um Estado que começam com S (Simão Dias-Sergipe) e falecido em uma cidade e um Estado que também começam com S (São Paulo-São Paulo), apenas coincidência das intermitências de uma vida que durou 19.094 dias e deixou para Sergipe e o Brasil um legado de uma atuação política marcante do Deputado Estadual, Deputado Federal, Prefeito do Município de Aracaju-SE e Governador de Sergipe.

Seus herdeiros Marcella, Yasmin, Luísa, frutos do seu primeiro casamento com Márcia Barreto e João Marcelo e Mateus, frutos de seu 2º casamento com Eliane Aquino, a sua viúva,  devem ter a mente o cultivo de um pai carinhoso e preocupado com o futuro e destino de seus filhos, tive a oportunidade de conversar pessoalmente sobre este tipo de assunto com o Marcelo Déda e ele revelou-se um pai muito orgulhoso dos filhos e do legado que poderia deixar para eles, a busca de uma sociedade melhor, mais justa com a atuação pautada em uma ética superior capaz de superar os maiores desafios que as dificuldades apresentam para um gestor público.

DÉDA Advogado, na condição de Governador por duas vezes do Estado de Sergipe, teve também como Vice-Governador em momentos distintos, dois Advogados Belivaldo Chagas e Jackson Barreto, respectivamente. Eles serão os dois que irão conduzir juntos e nas principais funções Jackson Barreto – Governador e Belivaldo Chagas – Vice-Governador, os destinos de Sergipe a partir de 2015, são os seus herdeiros políticos diretos no maior cargo público do Estado de Sergipe.

Sobre Jackson Barreto e Belivaldo Chagas, reproduzo adiante uma referência que Déda fez sobre eles em seu discurso de posse do 2º mandato de Governador de Sergipe:

“No já distante primeiro de janeiro de 2007, adentrei este plenário acompanhado deste extraordinário homem público sergipano que é Belivaldo Chagas, companheiro fiel, vice governador leal, amigo solidário, cuja competência e capacidade de trabalho, somadas às qualidades do seu caráter,  mereceram a admiração e o aplauso da nossa gente.

Hoje, venho em companhia desta legenda da luta política e social de Sergipe, o ex-prefeito, ex-deputado federal, ex-deputado estadual e ex-vereador, Jackson Barreto, vice-governador do nosso estado, ora empossado. Referência da luta contra o regime militar, nos mandatos parlamentares que exerceu àquela época, Jackson foi o prefeito que incorporou a periferia à geografia administrativa da Prefeitura de Aracaju, tirando da retórica para a prática o compromisso efetivo com os mais pobres da nossa cidade. Não conheço quem o ultrapasse em sincero e devotado amor ao nosso povo. Filho de uma família pobre de Santa Rosa de Lima, Jackson Barreto, aprendeu com a sua mãe, a professora Neuzice Barreto, o exemplo da resistência à opressão e as lições de coragem cívica. Militante do antigo PSD, foi constantemente perseguida pelos adversários e inúmeras vezes transferida para os recantos mais longínquos do nosso estado. Mas não se dobrou aos poderosos nem aceitou a sentença de um senhor de engenho que, ao negar-lhe uma oportunidade para educar os filhos, lhe dissera que ainda havia vagas no eito da usina para os seus meninos cortarem cana. Neuzice, como aquela mãe coragem eternizada na personagem de Máximo Górky, não aceitou que o futuro dos seus filhos fosse definido pelo desprezo e pela insensibilidade do oligarca. Enfrentou-o. Engajou-se na política e no trabalho e ao lado do seu querido esposo…………, conheceu as maiores privações, mas não cedeu à humilhação, criando a sua família com amor e desvelo e legando a todos o seu exemplo de mulher, de mãe, de cidadã brasileira.

É impossível não perceber no espírito rebelde e nas atitudes corajosas de Jackson Barreto, as marcas da influência de Neuzice, transmitidas pela genética e pelo exemplo.

A companhia de Jackson Barreto me honra, porque permite retomar o fio da história, unindo o destino de duas gerações que, ao seu tempo e ao seu modo, resistiram a  uma Ditadura,  lutaram pela Democracia  e  ajudaram a erguer, sob o chão da pátria o estandarte imortal da liberdade.

Já se vê, portanto, que mudou Sergipe e com ele mudamos nós. Mudanças que podem ser percebidas nas mechas brancas que dominam os cabelos, prateando com a neve do tempo o alto da minha cabeça; mudanças que produziram no político um indiscutível amadurecimento e incorporaram no seu patrimônio uma rica experiência, construída no difícil cotidiano de governar um estado pobre”.

Uma curiosidade da biografia de Déda e a de que ele disputa a sua primeira eleição, aos 22 anos e, para Deputado Estadual, não foi eleito e teve 300 votos; no mesmo ano em que seu principal adversário nas disputas para o Governo do Estado, João Alves Filho, também disputava a sua primeira eleição, era o ano de 1982, João Alves contava com 41 anos e foi eleito Governador de Sergipe pela 1ª vez com 200.00 votos.  Neste mesmo ano de 1982, o atual Governador Jackson Barreto foi eleito Deputado Federal pela 2ª vez com 19.992 votos, o atual Senador Antônio Carlos Valadares foi o Vice-Governador eleito e o Ex-Governador Albano Franco foi eleito Senador. Estes políticos de nossa terra de algum modo se enfrentaram ou estiveram juntos para construir o Estado de Sergipe que temos hoje. No ano de 1985, por exemplo, em 2ª segunda disputa eleitoral; Marcelo Déda disputou e perdeu para Jackson Barreto, somente na sua 3ª eleição ele logrou êxito e foi eleito Deputado Estadual por Sergipe em 1986. Vale Registrar que na Prefeitura de Aracaju-SE, o seu Vice-Prefeito Edvaldo Nogueira, também lhe sucedeu após a sua saída para disputar o Governo de Sergipe e depois foi reeleito em eleição direta já após ser Prefeito.

Mas infelizmente em outubro de 2009, tivemos o primeiro susto sobre a saúde de Marcelo Déda, foi quando a sociedade sergipana ficou sabendo da  retirada de  um nódulo benigno no pâncreas no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. E após três anos ele, o nosso Governador de então  é diagnosticado com câncer no sistema gastrointestinal, sendo submetido a partir de então de tratamento quimioterápico no mesmo hospital, Sírio-Libanês (SP).

Registre-se que a ausência de Déda é muito sentida pela população sergipana de uma forma geral, da família, dos amigos que conviveram algum período de forma mais direta e intensa, dos políticos contemporâneos sejam aliados ou adversários, enfim de muita gente de Sergipe e do Brasil. Tivemos neste ano de 2013, a primeira eleição desde 1982, sem a participação de Marcelo Déda.

Destaco aqui um pouco do seu pensamento econômico, decorrente das diversas vezes que conversarmos sobre o futuro de Sergipe o que ele esperava que as gerações seguintes dessem continuidade na lógica de contribuir para termos um Estado menos desigual, mais justo, com uma sociedade mais incluída.

Para referenciar sobre esta questão, reproduzo uma parte de seu discurso de posse do 2º Mandato de Governador, onde Déda assinalou:

“O que dará sustentabilidade ao suporte social construído pelo governo será um desenvolvimento econômico impregnado de distribuição de renda e inclusão social.  Por isso, os investimentos públicos em infra-estrutura que geram emprego, melhoram a qualidade de vida, integram territórios e dotam o estado de condições indispensáveis à  atração do investimento privado, continuarão.

Nada inclui mais que o emprego com carteira assinada e direitos laborais respeitados, por isso vamos trabalhar muito para continuar trazendo novas empresas para Sergipe, sem esquecer de estimular os investidores sergipanos a acreditarem na nossa economia e no potencial do nosso mercado”.

Quero registrar neste breve ensaio sobre o 1º ano da ausência de Marcelo Déda, as informações existentes no site do Instituto Marcelo Déda http://www.institutomarcelodeda.com.br/,

No site é possível obter diversas informações,  acesso a memória e fotos; cabendo destacar um dos pontos do seu Estatuto que é  “Preservar o legado imaterial do seu fundador enquanto homem público, promovendo os valores, as crenças e o ideário político, social e cultural que Marcelo Déda cultivara em vida por meio de ações culturais, sociais, pedagógicas, científicas e afins.”
Finalizando este breve ensaio sobre a ausência de Marcelo Déda, reputo que muitos nomes poderiam ser citados, muitos serão ainda, nos livros biográficos que os historiadores irão escrever sobre o político sergipano Marcelo Déda, mas sua memória seja honrada e destacada para que as gerações que ficam e que virão possam realizar sonhos que foram do nosso querido Marcelo Déda.

* Saumíneo da Silva Nascimento, Economista, trabalhou diretamente como auxiliar de Marcelo Déda no BANESE – Banco do Estado de Sergipe e na Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.
Foto: Janaína Santos

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